sexta-feira, 16 de maio de 2008

beatnik


"Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,

morrendo de fome, histéricos, nus,

arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca

de uma dose violenta de qualquer coisa,

"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato

celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,

que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando

sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis aparta-
mentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das
cidades contemplando jazz,

que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram

anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados
das casas de cômodos,

que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes

alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,

que foram expulsos das universidades por serem loucos e publi-

carem odes obscenas nas janelas do crânio,

que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descasca-

da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas
de papel, escutando o Terror através da parede,

que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo

com um cinturão de marijuana para Nova York,

que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam tereben-

tina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus tor-
sos noite após noite

com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e cara-

lhos e intermináveis orgias (....) "



Allen Ginsberg - UIVO.


ouvindo : Smashing pumpkins - Stand Inside Your Love

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Rebanho


rebanho

do Lat. herbaneu

s. m.,
porção de gado, especialmente lanígero;
fig.,
grande grupo de pessoas que seguem a orientação, a direcção, a vontade ou o arbítrio de alguém (os paroquianos em relação à Igreja, etc. );
conjunto de pessoas que se deixam conduzir por outrem, sem manifestar opinião pessoal ou exercer o seu próprio julgamento.




Para tipos narcisistas reacionários desprovidos da capacidade cognitiva. Rebanhos de ovelhas esperando a próxima ordem.
Injetam-se de diversão barata sem perceber sua função de cobaia manipulada. Lêem - ou seria folheiam?- revistas especializadas no universo fantasioso e pútrido do qual almejam participar. Nas mesmas bacanais revistas aprendem desde dicas infalíveis de vestuário, a táticas e técnicas de sexo oral. Aprendem a gozar. Aprendem a se portar - como ovelhas- de maneira socialmente aceitável. Rebanhos.
Tipos infáliveis na arte de se adaptar. Se adaptão facilmente, feito parasitas. Sugam, comem e cospem o que ja lhes é ordenando em desuso.
Concorrem, disputam entre si. Perdem e sentem-se inferiores, inferiorizados, ínfimos. Jamais assimilam a derrota. Quando muito entendem; jamais compreendem.
Jamais estarão sozinhos. Unem-se, amontoam-se, agrupam-se, atrelam-se e cruzam entre si. Proliferam, procriam e geram. Podres, fétidos.
Obedecem e desconhecem e rezam - para deus, Deus, DEUS ?- para si prórpios.
Se cercam. Me cercam. E eu fujo, e me comparam.
Pobre deles... só tem a eles. Sorte a minha...só tenho a mim.



hoje: Maio de 2008 - 40 anos depois.



ouvindo : The velvet Underground - Heroin