
Demônios internos assombram pequenos coitados desprovidos de razão.Hoje, isolei-me com eles, onde nada é impossível quando a intenção é só o momento. Momentos únicos que nunca valeram a pena, nunca serão momentos considerados e lembrados, mas que, no exato instante, faz-se importante. Faz-se valer pela única e extinta razão do momento, o momento por si só, o momento por tudo. E tudo o que sobra-nos é o momento quando a intenção é o "valer a pena". Eu os vi, estive com eles e sou um deles; vi-os perder a cabeça num insight esplendoroso de fascinação, num delírio concreto do infinito, da razão exacerbada em busca de fugas prazerosas e ilimitadas da realidade auto-imposta. Eu os vi suprindo a razão pelo medo incosciente do depois, pelo medo inesgotável do passado. Eu os vi, e sou, acima de tudo, uma testemunha participante, um protagonista sem closes e nem roteiros de fala improvisada. Espontâneo tal qual o momento, tal qual a razão, tal qual o agora. Espontâneo. Eu os vi, e os condenei por suprir por um prazer melancólico a realidade dissonante.
Pobres coitados de alma boa, pobres coitados por escolha imprópria, pobres coitados que vêem num futuro incerto a possibilidade de um sucesso infeliz. Eu os vi perdidos num presente inóspito, eu os vi querendo mais e mais e agora.
Pequenas almas desatentas na ambição prostituta do incerto. Unidos perderam a única certeza que os cerca: o momento.
Quanto a mim, testemunha ocular e participante indireto do agora, sou o resto do que sobrou daqueles momentos inestimáveis.
Quanto a mim, entusiasta cauteloso do futuro, vejo no agora imutável, a ressaca concreta do futuro.
ouvindo : Alice in chains : Brother
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